Orações Subordinadas Adverbiais

As orações subordinadas adverbiais, dentre as demais já vistas, podem ser consideradas uma das mais interessantes de se trabalhar.

O emprego das subordinadas adverbiais auxilia na construção de textos mais concisos, lógicos e com entrosamento semântico.

As adverbiais remetem, como o nome já diz, ao valor, ao sentido de uma circunstância, característica de um advérbio. Observe abaixo:

Caso perguntássemos quando o menino iria brincar, qual seria a resposta? Assim que terminasse a aula, certo? A locução “assim que” indica uma relação de tempo, não é?

 A oração “Assim que terminar a aula” é classificada como uma oração adverbial. Bem tranquilo, assim como são as outras oito classificações dessa família. 

Observe como Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema com base em uma das subordinadas adverbiais:

Ainda que mal

Ainda que mal pergunte,

ainda que mal respondas;

ainda que mal te entenda,

ainda que mal repitas;

[…]

ainda que mal te agarre,

ainda que mal te mates;

ainda assim te pergunto

e me queimando em teu seio,

me salvo e me dano: amor.

Em todo o poema, Drummond fez uso da adverbial concessiva para construir a ideia de concessão, ou seja, indicar algo contrário ao que se afirma na oração principal (“ainda assim eu pergunto”).

Posição das subordinadas adverbiais

Assim como visto, anteriormente, no artigo Frase – Oração – Período, as subordinadas adverbiais também são subordinadas a uma oração principal. O mesmo acontece com as substantivas e as adjetivas.

Ao analisar o período da imagem acima, teremos:

1ª or.: [Assim que terminar a aula]: subordinada adverbial temporal

2ª or.: [vou brincar muito]: principal

As orações subordinadas adverbiais podem vir antes, depois ou intercaladas à principal. Veja as outras posições:

Vou viajar para São Paulo, se eu entrar de férias. (após a principal)

As chuvas, como era esperado, chegaram. (intercalada à principal)

Classificação das subordinadas adverbiais

Como dito anteriormente, as adverbiais exercem a função própria de um advérbio (adjunto adverbial) e expressam nove circunstâncias distintas. Costumo sintetizar assim: 6CFTP

  1. causa
  2. consequência
  3. comparação
  4. concessão
  5. condição
  6. conformidade
  7. finalidade
  8. tempo
  9. proporção

A partir do momento em que as nove circunstâncias se apresentam em forma de oração, passamos a classificar desta forma:

  1. oração subordinada adverbial causal
  2. oração subordinada adverbial consecutiva
  3. oração subordinada adverbial comparativa
  4. oração subordinada adverbial concessiva
  5. oração subordinada adverbial condicional
  6. oração subordinada adverbial conformativa
  7. oração subordinada adverbial final
  8. oração subordinada adverbial temporal
  9. oração subordinada adverbial proporcional

Análise das orações subordinadas adverbiais

1. Subordinada adverbial causal

Exprime a causa, o motivo pelo qual um determinado fato ocorre.

Aqui se deve atentar que a causa está na subordinada e não na principal. 

Como fazia muito frio, vesti um casaco de tecido bem grosso.

Já que perdi o ônibus, não vou à aula.

As principais conjunções (ou locuções conjuntivas) das adverbiais causais são: porque, visto que, já que, uma vez que e como.

2. Subordinada adverbial consecutiva

Exprime a consequência do fato expresso na oração principal.

A criança berrou tanto que ficou sem ar.

 Ela estava tão feliz que não quis voltar para casa.

Suas principais conjunções geralmente são correlativas: tão…que, tamanho…que, tal…que, tanto …que.  

O erro cometido foi tamanho que todos se manifestaram.

3. Subordinada adverbial comparativa

Exprime uma comparação entre dois elementos. Neste tipo de adverbial, é comum os verbos das duas orações serem os mesmos (principal e subordinada). Isso acarreta uma elipse do verbo na subordinada, ou seja, o verbo fica oculto.

Acima, subentende-se que o pai fala mais que o papagaio (fala).

Outros exemplos de adverbiais comparativas:

O rapaz fala mais que lê.

Aqui faz calor como o Rio de Janeiro.

As principais conjunções comparativas são: como e que (seguido de mais ou menos).

4. Subordinada adverbial concessiva 

Expressa uma concessão, ou seja, exprime um fato que deveria acontecer, mas não se realiza. O que era esperado, o que seria óbvio não acontece. Veja:

Apesar de não ter estudado nada, Beto tirou nota máxima.

Entende-se que, se Beto nada estudou, não deveria ter se saído tão bem assim, a ponto de receber nota máxima. Isso é uma concessão. Outros exemplos:

Embora a inflação ainda esteja alta, os brasileiros continuam enchendo o carrinho nos supermercados.

Não conseguiu chegar a tempo, por mais que tenha se esforçado.

As principais conjunções e locuções conjuntivas são: embora, conquanto, se bem que, ainda que, mesmo que, apesar de, por mais que, por menos que.

5. Subordinada adverbial condicional

As adverbiais condicionais expressam uma condição para que determinado fato ocorra. 

Vou ao show se você me acompanhar.

Irei a São Paulo desde que você pague as despesas.

As principais conjunções e locuções conjuntivas são: se, contanto que, desde que.

6. Subordinada adverbial conformativa 

Indica uma conformidade, ou seja,  que está de acordo com algo ou com alguém. 

Como você já deve ter reparado, esses são dois mundos inteiramente diferentes”

                                             ( T. Harv Eker. Os segredos da mente milionária)

Estudei a matéria conforme me ensinaram.

 As principais conjunções conformativas são: como, conforme, segundo, consoante.

Segundo foi anunciado na mídia, as obras serão canceladas devido às chuvas.

Como me disseram, não haverá prova amanhã.

Observação: A conjunção como pode aparecer em três tipos diferentes de adverbiais: causal, comparativa e conformativa. Vale lembrar que a distinção só pode ser feita por meio do contexto.

Ela é inteligente como você. (comparação)

Como não vou ao trabalho amanhã, não vamos nos ver. (causa)

Vou fazer a dieta como você me ensinou. (conformidade)

7. Subordinada adverbial final

Indica uma finalidade, um objetivo a ser alcançado.

Estudou durante muitos meses a fim de passar no concurso da Receita Federal.

Para que o congresso se realizasse sem problemas, organizou-se tudo com antecedência. 

As principais conjunções e locuções conjuntivas são: que, para que e a fim de que

8. Subordinada adverbial temporal

É a subordinada que expressa um tempo, um momento de realização de um fato.

Suas principais conjunções e locuções conjuntivas são: quando, logo que, desde que, enquanto, mal, assim que, agora que.

Mal chegou, começou a impor limites.

Assim que chegar a casa, ligue para mim.

Quando acordei na manhã seguinte, estávamos em Karoo, cheia de poeira… .”                 (Janet Morgan. Agatha Christie. Uma biografia)

9. Subordinada adverbial proporcional

Expressa uma proporção entre dois elementos, de modo que, se  altera um, altera-se outro. 

As principais locuções conjuntivas são: à medida que, ao passo que, à proporção que

Há também o emprego de expressões correlativas: quanto maismais, quanto menosmais etc.

Quanto mais ele falava, mais me irritava.

O pai se ressentia cada vez mais, à proporção que o filho chorava.

A pontuação nas orações subordinadas adverbiais

Ao empregar as subordinadas adverbiais, faz-se necessário atentar para a posição da subordinada.

Caso a subordinada venha anteposta à principal, ou seja, antes da principal, a vírgula deverá ser usada. 

Mesmo que estivesse doente, não faltaria ao serviço. (anteposta)

Também é obrigatória se a subordinada estiver intercalada à principal.

A proposta, se for bem aceita, poderá ser efetivada. (intercalada)

Caso a subordinada venha posposta à principal (depois), a vírgula é opcional, facultativa.

Lerei todos os processos para que eu possa fazer uma boa defesa.

Lerei todos os processos, para que eu possa fazer uma boa defesa.

Adverbial causal ou coordenada explicativa?

É muito comum dúvidas surgirem quando o assunto é diferenciar uma adverbial causal de uma coordenada explicativa, quando a conjunção empregada é porque.

Passo a passo:

1. Lembre-se de que, para  a conjunção porque ser causal, é preciso haver a relação causa x consequência;

2. Na explicativa, a conjunção porque está na coordenada sindética e, na assindética, não pode apresentar consequência, e sim uma mera explicação do fato ocorrido.

3. Geralmente,  a conjunção porque, nas orações coordenadas, apresentam verbos no imperativo ou em frases optativas.

4. O uso da vírgula antes da conjunção porque, geralmente, ocorre nas explicativas, mas não se deve confiar nessa afirmação que muitos gramáticos comentam. Muitos empregam a vírgula indiscriminadamente, seja causal ou explicativa.

 Veja os exemplos:

I.  Deve ter ventado muito, porque há folhas no chão.

II. A sandália arrebentou porque era de péssima qualidade.

Em I, não existe relação de causa e efeito entre as orações. As folhas poderiam ter caído no chão por outras razões; é uma coordenada explicativa.

Já em II,  a sandália ser ruim justifica o fato de ter arrebentado. Aqui se tem uma adverbial causal.

Veja esta:

Choveu, porque o chão está todo molhado.

O chão só pode estar molhado com a água da chuva? Não, portanto é uma coordenada explicativa.

Vamos revisar alguns pontos?

1. As orações subordinadas adverbiais possuem valor de adjunto adverbial e nos ajuda a construir textos mais elaborados

2. Existem nove tipos de adverbiais (6cftp): causal, consecutiva, comparativa, condicional, concessiva, conformativa, final, temporal, proporcional.

3. Para entender o valor semântico de cada conectivo (conjunção ou locução conjuntiva), é imprescindível que se analise o contexto.

4. Pode haver uma mesma  conjunção (ou locução) com mais de um valor semântico (como, desde que, que…)

5. As orações subordinadas adverbiais também se ligam a uma principal e podem ocupar posições diferentes no período.

6. Normalmente, a subordinada adverbial comparativa apresenta um verbo elíptico (oculto).

 7. A vírgula só é obrigatória quando a subordinada vier antes da principal.

8. É preciso analisar a relação causa x consequência para diferenciar uma adverbial causal de uma coordenada explicativa, com o emprego da conjunção porque.


É sempre interessante relembrar os conteúdos passados. Se possível, acesse os demais artigos sobre o período composto. 

Esperamos ter ajudado você em seus estudos. 


Referências bibliográficas:

  1. EKER, T. Harv. Os segredos da mente milionária. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. 
  2. HARARI, Yuval Noah. Sapiens: Uma breve história da humanidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. 
  3. MORGAN, Janet . Agatha Christie: Uma biografia. RJ: BestSeller, 2018. 
  4. CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Português Linguagens. São Paulo: Atual, 2010. 
  5. TERRA, Ernani. Curso Prático de Gramática. São Paulo: Scipione, 2011.

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